Saudações literárias!!
Atenção senhores leitores, aqui é Viviane Pascoal, comandante da nave VIDAS EM RETALHOS, juntamente com o piloto Arnaldo Mota, dando as boas vindas àqueles que desejam tecer os fios da invisibilidade social. Informamos que nossa nave está equipada com duas Saídas de Emergência caso queiram fugir da superficialidade da informação midiática: JORNALISMO E LITERATURA.
Nossa viagem começa na infância de Vera Silva, brasileira, nordestina, potiguar, mulher, mãe. O tempo de vôo do até MATERNIDADE é de aproximadamente 19 anos, quando daremos início ao embarque dos passageiros: CAIO, GABRIELA, LUCAS, RAFAEL, JÚLIA E MARIANA, provenientes da cidade de FILHOS, Estado de PAIS DIFERENTES. O vôo de FILHOS, da ESCOLA até RUA é direto e sem escalas, com previsões de turbulências pelo caminho, porém a nave entra em cruzeiro com a entrada do passageiro ESTRANGEIRO, responsável pelo abastecimento da ESPERANÇA de UM FUTURO MAIS DIGNO.
Nosso serviço de bordo conta com uma grande variedade de VALORES HUMANOS, recheados com muito LIRISMO E REALISMO. Nossos pratos são preparados por CHEFs JORNALISTAS, orientados por AUTORIDADES EM SOCIOLOGIA, PSICOLOGIA, DIREITO E JORNALISMO. Para beber, doses equilibradas de HUMOR, POESIA e REALIDADE, nas versões INTEGRAL E LIGHT.
Lembrando que nosso vôo é proveniente da UNIVERSIDADE POTIGUAR, e tem como destino, MENTES E CORAÇÕES. Desejamos a todos uma boa viagem.
ESCALAS:
21 de Agosto: Sessão de Autógrafos na 20a Bienal Internacional do Livro
Às 19 horas, no Parque Anhembi, Stand All Print Editora, rua I-7
22 de Agosto: Coquetel de lançamento do livro em São Paulo
Às 19 horas no Colégio Pascoal Dantas - Av. Pires do Rio,2801 - São Miguel
19 de Setembro: Coquetel de lançamento do livro em Natal
Às 18 horas Paladar Tropical - Av. Jaguarari, 2570 - Candelária
15 de Outubro: Tarde de autógrafos em São Paulo
Às 17 horas no Casarão de Belvedere - Rua Pedroso, 267, Bela Vista - Prox. metrô São Joaquim
domingo, 17 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Entre tantos outros
“... Parecia ser mais um daqueles momentos que passa ligeiro sem a gente perceber. Parecia ser mais um rosto comum, que entre tantos outros, a gente não vê. Foi quase assim que ele me surgiu. Não fosse pelo seu olhar oblíquo, não fosse pelo seu sorriso amigo.
Trazia ao lado uma criança, uma menina risonha, simpática. Parecia apenas mais um rostinho perdido; uma feição comum, que entre tantas outras, a gente não vê. Não fosse pelo toque suave de sua expressão. Não fosse pela inocência, que fluía de seu coração. Ela me sorriu e ele sentou-se ao meu lado. Assim, começamos a conversar. Parecia um papo superficial, comum, trivial, como tantos outros que procuramos ter. Mas algo em seu olhar e sua voz modificou-se de forma tal que me fez perceber seu brilho interior. Em suas palavras revelavam-se um misto de sabedoria e simplicidade. Era um ser iluminado, eu sentia. Havia certeza e doçura em sua voz, um sorriso terno em seu rosto, humildade em seu olhar, e um canto de verdade em seu silêncio.
Falamos da doce ilusão do tempo, do passado inexistente, do futuro incerto que quando chegar, será presente. Falamos do homem afoga o coração em pensamentos, passa a vida inteira buscando razões, e é estranho aos próprios sentimentos. Mas a nossa vida passa, entre tantas outras e a gente não vê.
Foi de repente que ele se levantou, tomou minha mão entre as suas e disse que admirava minha atitude. Pareciam ser palavras soltas ao ar ,um mero comentário, como tantos outros. Mas foi o mais belo e sincero elogio dentre tantos outros que já recebi. Pareciam ser mãos comuns, como tantas outras, mas aquelas mãos me tocavam, e eu não as sentia. Como se ali não houvesse matéria, apenas energia. E não obstante, depois que ele saiu, percebi que as pessoas me olhavam assustadas. Também pudera: aquele homem com quem eu conversava, apenas aos meus olhos se apresentava.
Foi de repente, rápido, misterioso, um momento milagroso. Não foi mais que um instante, e eu percebi, que aquele homem comum, que entre tantos outros, eu conheci, em apenas um segundo, conseguiu mudar o mundo em mim.”
... Pára, olha o tempo! Lá se vão tantos momentos, tantos homens comuns, tantas crianças, tantos sorrisos, tanta coisa para aprender! E nós, como tantos outros, pedimos uma palavra do mestre, e esperamos percebe-la na voz rouca de um velhinho de barba branca, sentado numa cadeira bamba ou no banco de uma praça, vestindo um véu de luz e um gorro troncho que lhe cobre o rosto. E que de preferência, diga: Meu filho, sou seu mestre. Vim aqui para lhe dizer o que fazer! Parece ser a imagem perfeita para um bom guia. Não fosse o poder de edificar uma vida feliz que como um presente divino, nos foi destinado. Um presente, um instrumento da vida, que a todo momento, nos aparece. Na forma de um sorriso ou de um homem comum. Tão comum que a gente até se esquece que talvez ele seja o mestre, trazendo a mensagem que precisamos ouvir. Mas quem nos fará despertar da ilusão que nossos olhos querem ver? Talvez em um simples gesto de um homem simplesmente gente: um sorriso que não se vê, entre tantos rostos...
Trazia ao lado uma criança, uma menina risonha, simpática. Parecia apenas mais um rostinho perdido; uma feição comum, que entre tantas outras, a gente não vê. Não fosse pelo toque suave de sua expressão. Não fosse pela inocência, que fluía de seu coração. Ela me sorriu e ele sentou-se ao meu lado. Assim, começamos a conversar. Parecia um papo superficial, comum, trivial, como tantos outros que procuramos ter. Mas algo em seu olhar e sua voz modificou-se de forma tal que me fez perceber seu brilho interior. Em suas palavras revelavam-se um misto de sabedoria e simplicidade. Era um ser iluminado, eu sentia. Havia certeza e doçura em sua voz, um sorriso terno em seu rosto, humildade em seu olhar, e um canto de verdade em seu silêncio.
Falamos da doce ilusão do tempo, do passado inexistente, do futuro incerto que quando chegar, será presente. Falamos do homem afoga o coração em pensamentos, passa a vida inteira buscando razões, e é estranho aos próprios sentimentos. Mas a nossa vida passa, entre tantas outras e a gente não vê.
Foi de repente que ele se levantou, tomou minha mão entre as suas e disse que admirava minha atitude. Pareciam ser palavras soltas ao ar ,um mero comentário, como tantos outros. Mas foi o mais belo e sincero elogio dentre tantos outros que já recebi. Pareciam ser mãos comuns, como tantas outras, mas aquelas mãos me tocavam, e eu não as sentia. Como se ali não houvesse matéria, apenas energia. E não obstante, depois que ele saiu, percebi que as pessoas me olhavam assustadas. Também pudera: aquele homem com quem eu conversava, apenas aos meus olhos se apresentava.
Foi de repente, rápido, misterioso, um momento milagroso. Não foi mais que um instante, e eu percebi, que aquele homem comum, que entre tantos outros, eu conheci, em apenas um segundo, conseguiu mudar o mundo em mim.”
... Pára, olha o tempo! Lá se vão tantos momentos, tantos homens comuns, tantas crianças, tantos sorrisos, tanta coisa para aprender! E nós, como tantos outros, pedimos uma palavra do mestre, e esperamos percebe-la na voz rouca de um velhinho de barba branca, sentado numa cadeira bamba ou no banco de uma praça, vestindo um véu de luz e um gorro troncho que lhe cobre o rosto. E que de preferência, diga: Meu filho, sou seu mestre. Vim aqui para lhe dizer o que fazer! Parece ser a imagem perfeita para um bom guia. Não fosse o poder de edificar uma vida feliz que como um presente divino, nos foi destinado. Um presente, um instrumento da vida, que a todo momento, nos aparece. Na forma de um sorriso ou de um homem comum. Tão comum que a gente até se esquece que talvez ele seja o mestre, trazendo a mensagem que precisamos ouvir. Mas quem nos fará despertar da ilusão que nossos olhos querem ver? Talvez em um simples gesto de um homem simplesmente gente: um sorriso que não se vê, entre tantos rostos...
domingo, 3 de agosto de 2008
Apenas um olhar
Oi, gente, ai vai a primeira história de uma jornalista com coração de poeta! Comentem!
Apenas um olhar
Era uma típica noite de terça-feira paulistana. O frio abraçando os gatos da noite que exploravam aquele bairro da Santa Cecília. Nome interessante para um lugar onde o sagrado e o profano parecem conviver bem: as beatas da igreja, as prostitutas nas esquinas, os estudantes de jaleco branco saindo do Mackenzie ou da Santa Casa, outros mais descolados a caminho do metrô. Nessa pluralidade de gente e de cor, um grupo de jornalistas apaixonados por literatura foi desafiado a praticar o exercício do olhar. Isso significava varrer a redondeza com olhos atentos para mais tarde, de volta à sala de aula, descrever o que encontrássemos de mais interessante.
Foi assim, que na companhia de dois colegas, percorri com os pés e com os olhos, a calçada da Rua General Jardim. Queria chegar a alguma esquina onde pudesse encontrar um típico quarentão solitário. Desses que param diante do balcão sujo de um bar, com os cabelos em desalinho, e pedem uma cerveja. Esperava encontrar um sujeito descontente com a vida, que fizesse da loira gelada, sua companheira, testemunha de um monólogo interior nem sempre inteligível.
Pus os pés na rua com o olhar domesticado, em busca de uma figura humana pré-determinada, talvez até pré-julgada. Realmente não foi difícil encontrar tal figura. Estava ali, sentado no bar, exatamente como eu imaginava. Mas meu olhar parou antes mesmo de chegar à esquina. Estava diante da Escola de Sociologia e Política, número 522 da General jardim.
Não foi a edificação arquitetonicamente interessante que me chamou a atenção, mas o homem parado ali, na frente dela. Era forte, negro, do tipo que convive bem com uns quilinhos a mais. Tinha o rosto arredondado, os olhos amarelados, porem vivos. A barriga saltando para fora da calça, a camisa um pouco aberta, a carteira de cigarros caindo do bolso. Uma latinha de cerveja aos seus pés. Sentado em um caixote de madeira, olhava as pessoas na rua. Ou o mundo?
Atrás de si, a grade de ferro que se estendia ao redor da faculdade. Era como se o portão separasse dois mundos: o daqueles que pensam a vida e o dos que a vivem. Por um momento, varri com os olhos o lado de dentro do portão. Havia grupinhos de jovens falantes, filosofantes, talvez. Discutiam sociologia, mas será que já ousaram, alguma vez, romper a barreira silenciosa dos portões da faculdade e alcançar o mundo do lado de fora? Teriam se interessado em saber o que pensa e sente um homem que na sociedade, agoniza no silêncio e na invisibilidade?
Alheio às profusões filosóficas dos jovens atrás de si, o homem no caixote de madeira sabia ser invisível, e parecia se divertir com isso. Olhou para dentro da escola e sorriu como se dissesse “O que vocês acham que sabem da vida?” E no momento em que se voltou novamente para a rua, seus olhos se cruzaram com os de uma jornalista que por ali passava, procurando uma cena interessante para transformar em palavras. É claro que ele não sabia disso. Não sabia quem eu era. E nem importava saber.
Quando meu olhar, não mais domesticado, ousou enxergá-lo, seus lábios se abriram em um sorriso, que no silêncio, disse: “bem vinda ao meu mundo”. E retribuindo o gesto, agradeci mentalmente por ele ter me permitido romper as barreiras da invisibilidade. E nem precisamos trocar palavras para que eu cruzasse os portões da cegueira social e entrasse em seu mundo. Bastou apenas um olhar. Não fosse por isso, eu certamente estaria descrevendo o quarentão solitário em companhia de uma loira gelada, no balcão sujo de um bar.
Apenas um olhar
Era uma típica noite de terça-feira paulistana. O frio abraçando os gatos da noite que exploravam aquele bairro da Santa Cecília. Nome interessante para um lugar onde o sagrado e o profano parecem conviver bem: as beatas da igreja, as prostitutas nas esquinas, os estudantes de jaleco branco saindo do Mackenzie ou da Santa Casa, outros mais descolados a caminho do metrô. Nessa pluralidade de gente e de cor, um grupo de jornalistas apaixonados por literatura foi desafiado a praticar o exercício do olhar. Isso significava varrer a redondeza com olhos atentos para mais tarde, de volta à sala de aula, descrever o que encontrássemos de mais interessante.
Foi assim, que na companhia de dois colegas, percorri com os pés e com os olhos, a calçada da Rua General Jardim. Queria chegar a alguma esquina onde pudesse encontrar um típico quarentão solitário. Desses que param diante do balcão sujo de um bar, com os cabelos em desalinho, e pedem uma cerveja. Esperava encontrar um sujeito descontente com a vida, que fizesse da loira gelada, sua companheira, testemunha de um monólogo interior nem sempre inteligível.
Pus os pés na rua com o olhar domesticado, em busca de uma figura humana pré-determinada, talvez até pré-julgada. Realmente não foi difícil encontrar tal figura. Estava ali, sentado no bar, exatamente como eu imaginava. Mas meu olhar parou antes mesmo de chegar à esquina. Estava diante da Escola de Sociologia e Política, número 522 da General jardim.
Não foi a edificação arquitetonicamente interessante que me chamou a atenção, mas o homem parado ali, na frente dela. Era forte, negro, do tipo que convive bem com uns quilinhos a mais. Tinha o rosto arredondado, os olhos amarelados, porem vivos. A barriga saltando para fora da calça, a camisa um pouco aberta, a carteira de cigarros caindo do bolso. Uma latinha de cerveja aos seus pés. Sentado em um caixote de madeira, olhava as pessoas na rua. Ou o mundo?
Atrás de si, a grade de ferro que se estendia ao redor da faculdade. Era como se o portão separasse dois mundos: o daqueles que pensam a vida e o dos que a vivem. Por um momento, varri com os olhos o lado de dentro do portão. Havia grupinhos de jovens falantes, filosofantes, talvez. Discutiam sociologia, mas será que já ousaram, alguma vez, romper a barreira silenciosa dos portões da faculdade e alcançar o mundo do lado de fora? Teriam se interessado em saber o que pensa e sente um homem que na sociedade, agoniza no silêncio e na invisibilidade?
Alheio às profusões filosóficas dos jovens atrás de si, o homem no caixote de madeira sabia ser invisível, e parecia se divertir com isso. Olhou para dentro da escola e sorriu como se dissesse “O que vocês acham que sabem da vida?” E no momento em que se voltou novamente para a rua, seus olhos se cruzaram com os de uma jornalista que por ali passava, procurando uma cena interessante para transformar em palavras. É claro que ele não sabia disso. Não sabia quem eu era. E nem importava saber.
Quando meu olhar, não mais domesticado, ousou enxergá-lo, seus lábios se abriram em um sorriso, que no silêncio, disse: “bem vinda ao meu mundo”. E retribuindo o gesto, agradeci mentalmente por ele ter me permitido romper as barreiras da invisibilidade. E nem precisamos trocar palavras para que eu cruzasse os portões da cegueira social e entrasse em seu mundo. Bastou apenas um olhar. Não fosse por isso, eu certamente estaria descrevendo o quarentão solitário em companhia de uma loira gelada, no balcão sujo de um bar.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
LIVRO-REPORTAGEM REVELA AS VIDAS INVISÍVEIS DE NATAL/RN
Oi, gente! Já tava demorando para falar de uma das maiores realizações da minha vida! Pois é, agora só falta plantar uma árvore e fazer um filho. O livro já está pronto! Aí vai um pouquinho sobre Vidas em Retalhos:
O livro-reportagem Vidas em Retalhos: tecendo os fios da invisibilidade social, dos jornalistas Arnaldo Mota e da blogueira que vos fala, Viviane Pascoal Dantas, conta a trajetória real de uma família nordestina em sua luta diária pela sobrevivência. A obra, inicialmente, foi realizada como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Potiguar. Tem como pano de fundo a cidade do Natal/RN, revelando que mesmo em um dos mais belos pólos turísticos do Brasil existe uma realidade que não se deseja mostrar, mas que se faz presente, perambulando pelas ruas da cidade. São vidas que se tornam invisíveis pela sua não-cidadania, pelo seu histórico de humilhação e exclusão social.
Tragédia e Comédia convivem bem
Ao narrar a vida dos cinco integrantes da Família Silva, foco da reportagem, levantamos discussões acerca da função social do jornalismo, e dialogamos com psicólogos, sociólogos e jornalistas sobre a violência física e psicológica que sofrem essas pessoas, a situação de abandono, o descaso, a fome, o preconceito.
Fomos testemunhas de várias passagens da vida da família. Primeiro conhecemos os filhos mais velhos, Gabriela e Lucas. Eles tinham a fome estampada no rosto e muitas histórias para contar. Descobrimos neles, histórias que não podiam continuar agonizando no silêncio. Então conhecemos a mãe das crianças, Vera, que acabou mudando o rumo da reportagem.
Quando Vera nos convidou até a sua casa, e nos permitiu entrar em seu mundo, contando a sua história, entramos em contato com uma realidade completamente diferente. Foi como um alargamento substancial da nossa visão de mundo. Ouso dizer que nos formamos ali, naquele momento, como jornalistas.
Apesar de tratar de episódios difíceis, com uma grande carga emocional, a tônica da narrativa não é dramática e sensacionalista. Ao contrário, traz uma linguagem realista, questionadora e ao mesmo tempo sensível, com doses equilibradas de lirismo e realismo, poesia e humor, literatura e jornalismo. Há um profundo respeito para com as vidas humanas envolvidas.
Vidas em Retalhos na Bienal
Publicado recentemente pela Allprint Editora, o livro já está à venda no site (www.allprinteditora.com.br), e na loja online da Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br), Estarei autografando o livro na Bienal Internacional do Livro, dia 15 de agosto às 19 horas no stand da editora.
O livro ainda não foi lançado oficialmente. A intenção é fazer algo realmente significativo, criativo, ousado, envolvendo não apenas a noite de autógrafos, mas um evento artístico em um espaço cultural , onde os convidados poderão prestigiar apresentações culturais, músicas que remetem ao tema, e outras atividades que certamente surpreenderão o público.
O livro-reportagem Vidas em Retalhos: tecendo os fios da invisibilidade social, dos jornalistas Arnaldo Mota e da blogueira que vos fala, Viviane Pascoal Dantas, conta a trajetória real de uma família nordestina em sua luta diária pela sobrevivência. A obra, inicialmente, foi realizada como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Potiguar. Tem como pano de fundo a cidade do Natal/RN, revelando que mesmo em um dos mais belos pólos turísticos do Brasil existe uma realidade que não se deseja mostrar, mas que se faz presente, perambulando pelas ruas da cidade. São vidas que se tornam invisíveis pela sua não-cidadania, pelo seu histórico de humilhação e exclusão social.
Tragédia e Comédia convivem bem
Ao narrar a vida dos cinco integrantes da Família Silva, foco da reportagem, levantamos discussões acerca da função social do jornalismo, e dialogamos com psicólogos, sociólogos e jornalistas sobre a violência física e psicológica que sofrem essas pessoas, a situação de abandono, o descaso, a fome, o preconceito.
Fomos testemunhas de várias passagens da vida da família. Primeiro conhecemos os filhos mais velhos, Gabriela e Lucas. Eles tinham a fome estampada no rosto e muitas histórias para contar. Descobrimos neles, histórias que não podiam continuar agonizando no silêncio. Então conhecemos a mãe das crianças, Vera, que acabou mudando o rumo da reportagem.
Quando Vera nos convidou até a sua casa, e nos permitiu entrar em seu mundo, contando a sua história, entramos em contato com uma realidade completamente diferente. Foi como um alargamento substancial da nossa visão de mundo. Ouso dizer que nos formamos ali, naquele momento, como jornalistas.
Apesar de tratar de episódios difíceis, com uma grande carga emocional, a tônica da narrativa não é dramática e sensacionalista. Ao contrário, traz uma linguagem realista, questionadora e ao mesmo tempo sensível, com doses equilibradas de lirismo e realismo, poesia e humor, literatura e jornalismo. Há um profundo respeito para com as vidas humanas envolvidas.
Vidas em Retalhos na Bienal
Publicado recentemente pela Allprint Editora, o livro já está à venda no site (www.allprinteditora.com.br), e na loja online da Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br), Estarei autografando o livro na Bienal Internacional do Livro, dia 15 de agosto às 19 horas no stand da editora.
O livro ainda não foi lançado oficialmente. A intenção é fazer algo realmente significativo, criativo, ousado, envolvendo não apenas a noite de autógrafos, mas um evento artístico em um espaço cultural , onde os convidados poderão prestigiar apresentações culturais, músicas que remetem ao tema, e outras atividades que certamente surpreenderão o público.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Cinco minutos
Oi, gente! Hora de começar a discutir jornalismo. Afinal, que loucura é essa que a gente gosta tanto? Veja aí, quem nunca passou por isso? rss
Cinco minutos!
Vamos, gente, não temos tempo!
Bota os créditos.
Essa foto tem que ficar maior.
Temos que fechar!
Não vai dar pra entrar isso não.
Isso sai!
Isso fica!
Corta pelo pé!
Ih, sobrou espaço! E agora?
Ah, pega um artigo, lá na pasta “tapa buraco”
Ok, fechou!
Chega! Pára tudo! Não! Isso não é uma sala de emergência de um hospício, apesar de parecerem todos loucos e cada segundo parecer essencial. É a redação de um jornal diário. Seus doutores operam equipamentos, tratam as notícias e as transformam em produto. Palavras. Palavras se derramam sobre a tela e a olhos e mãos atentas tentam colocá-la no melhor lugar. Estrategicamente pensado. Previamente calculado. Cuidado! Lá se vai uma opinião! É um grito de alerta: e logo os doutores tratam de escondê-las, camufla-las, por trás de uma palavra ou de outra, afinal ela não pode aparecer! Então o alvoroço: é a linha de morte que se aproxima.
É gente processando, máquinas gritando, ih... troquei! Também não dá tempo de corrigir. Tempo: esse parece se divertir olhando as rugas estampadas nas pessoas, e as máquinas esquentando, já cansadas. Fechou. Encerrou.
E palavras estáticas chovem agora sobre o papel. Impregnadas de trabalho e significados. De interesse e poderes. Parece loucura que alguém em sã consciência escolha um ambiente assim para passar a maior parte dos seus dias. Mas confesso: sou louca sim, afinal sou jornalista.
Sou louca e espero que todos sejam. Sedentos por tornar público acontecimentos sociais, por formar e informar, brincar com as palavras e com as sensações. Conquistar mentes e corações, escrever e registrar a história, dia após dia. Contadores de histórias reais. É isso o que somos. É preciso um pouco de loucura para ousar fazer diferente. Para ousar ser a diferença. É preciso abraçar o jornalismo com a ousadia de um louco e a capacidade de um gênio. Agora pare.... Olhe. Pense. Tente. Escreva....
Cinco minutos!
Vamos, gente, não temos tempo!
Bota os créditos.
Essa foto tem que ficar maior.
Temos que fechar!
Não vai dar pra entrar isso não.
Isso sai!
Isso fica!
Corta pelo pé!
Ih, sobrou espaço! E agora?
Ah, pega um artigo, lá na pasta “tapa buraco”
Ok, fechou!
Chega! Pára tudo! Não! Isso não é uma sala de emergência de um hospício, apesar de parecerem todos loucos e cada segundo parecer essencial. É a redação de um jornal diário. Seus doutores operam equipamentos, tratam as notícias e as transformam em produto. Palavras. Palavras se derramam sobre a tela e a olhos e mãos atentas tentam colocá-la no melhor lugar. Estrategicamente pensado. Previamente calculado. Cuidado! Lá se vai uma opinião! É um grito de alerta: e logo os doutores tratam de escondê-las, camufla-las, por trás de uma palavra ou de outra, afinal ela não pode aparecer! Então o alvoroço: é a linha de morte que se aproxima.
É gente processando, máquinas gritando, ih... troquei! Também não dá tempo de corrigir. Tempo: esse parece se divertir olhando as rugas estampadas nas pessoas, e as máquinas esquentando, já cansadas. Fechou. Encerrou.
E palavras estáticas chovem agora sobre o papel. Impregnadas de trabalho e significados. De interesse e poderes. Parece loucura que alguém em sã consciência escolha um ambiente assim para passar a maior parte dos seus dias. Mas confesso: sou louca sim, afinal sou jornalista.
Sou louca e espero que todos sejam. Sedentos por tornar público acontecimentos sociais, por formar e informar, brincar com as palavras e com as sensações. Conquistar mentes e corações, escrever e registrar a história, dia após dia. Contadores de histórias reais. É isso o que somos. É preciso um pouco de loucura para ousar fazer diferente. Para ousar ser a diferença. É preciso abraçar o jornalismo com a ousadia de um louco e a capacidade de um gênio. Agora pare.... Olhe. Pense. Tente. Escreva....
terça-feira, 29 de julho de 2008
Beijo.com
Só para aquecer, gostaria de postar uma poesia sobre amor virtual. Não estou inspirada para devagações jornalísticas agora, tá?
Beijo.com
Um click, um sala, um nick,
Foi assim que o conheci
Naquele chat, a teclar
Não demorou e estávamos no particular
Trocamos emotions, fizemos downloads
A noite inteira, sem parar
Ah, foram tantos emails, scraps
Tantas mensagens trocadas...
Ooops! Trocadas meeeeeesmo, erro fatal!
Nosso amor acabou como uma sessão expirada.
Não! Eu sei que não está offline!
Vamos teclar, amor, não desconecte agora...
Não deixe romper o link entre nós ...
Amor? Kd vc? Em vão te procuro, e...
Caiu! Expirou! ... é o fim!
Mas suas palavras permanecem
Copediscadas em mim,
Por mais que eu tente deletar.
Tudo o que eu quero é resetar
Agora só me resta esperar que um dia
A gente se encontre para um bate-chat
Agora só me resta voltar para a home
Te deixar um scrap, enviar um beijo.com.
Beijo.com
Um click, um sala, um nick,
Foi assim que o conheci
Naquele chat, a teclar
Não demorou e estávamos no particular
Trocamos emotions, fizemos downloads
A noite inteira, sem parar
Ah, foram tantos emails, scraps
Tantas mensagens trocadas...
Ooops! Trocadas meeeeeesmo, erro fatal!
Nosso amor acabou como uma sessão expirada.
Não! Eu sei que não está offline!
Vamos teclar, amor, não desconecte agora...
Não deixe romper o link entre nós ...
Amor? Kd vc? Em vão te procuro, e...
Caiu! Expirou! ... é o fim!
Mas suas palavras permanecem
Copediscadas em mim,
Por mais que eu tente deletar.
Tudo o que eu quero é resetar
Agora só me resta esperar que um dia
A gente se encontre para um bate-chat
Agora só me resta voltar para a home
Te deixar um scrap, enviar um beijo.com.
Bloguei!
Finalmente esta jornalista resolveu se render aos apelos da tecnologia e criar um blog. Espero criar um espaço aberto para discutir jornalismo, literatura, sociedade, cultura. Algumas reflexões, histórias, artigos, grandes reportagens, dessas que a gente não encontra todos os dias em jornais. Aceito críticas, sugestões, comentários, enfim! Participem!
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